O Zé faz falta

Um artigo de opinião interessante no jornal de negócios. Alguns destaques a bold:

“Estamos como o tipo que se atira de um prédio e, no ar, vai no 2º andar e diz: ‘so far so good’.” Na Bolsa portuguesa, por enquanto tudo bem.

Foi com esta inquietante imagem que Francisco Magalhães Carneiro, do BPI, respondeu num debate do Jornal de Negócios à insistente pergunta: a Bolsa já subiu de mais? Raul Marques, do Banif, anuiu. Não há euforias nem fatalismos.

Parte da valorização em Bolsa vem de cenários especulativos de OPA. E enquanto as OPA estiverem a ser pagas em dinheiro (e não em acções), as acções não estão caras, disse Magalhães Carneiro. E é bem verdade que a maioria das cotadas portuguesas apresenta balanços à prova de bala: não há epidemias de moinhos quixotescos, como no início da década. Mas uma valorização de 33% nos últimos 12 meses (13,5% desde Janeiro, depois de um 2006 fulgurante) é bom de mais para ser verdade.

Mau de mais é, porém, que “os portugueses passaram completamente ao lado desta escalada”. Poucos investem na Bolsa, mesmo através de fundos de investimento em acções. Os males que se fizeram no virar do século deixaram falências e mágoas nos pequenos investidores. A Galp trouxe algum ânimo e já valorizou mais de 50%: “so far so good”… O Benfica entrou depois e os investidores estão a pagar menos um terço que os adeptos pagaram pelas acções.

Nas próximas semanas, mais duas empresas vão entrar em Bolsa: a REN e a Martifer. São óptimas notícias para os investidores, que terão mais por onde escolher. A nossa Bolsa é pequenina e lacunar. Não há por exemplo seguradoras. Haverá agora uma gestora de infra-estruturas, a REN, que entra como acção defensiva e se apresenta como uma “vaca leiteira” de dividendos. Também a Brisa é defensiva e sobe. As congéneres italiana e espanhola da REN estão a subir 25% este ano. Vale a pena comprar REN? Depende do preço. Bem disposto, Magalhães Carneiro explica: “A primeira fase das privatizações dá sempre, a segunda dá menos, a terceira dá pouco, a quarta é para perder”.

José Penedos é o gestor da próxima cotada de média dimensão (valerá o que vale a Sonacom); os irmãos Carlos e Jorge Martins lançam a Martifer este mês; José Oliveira e Costa anunciou a cotação do BPN para este ano; Gonçalo Quadros, da Critical Sofware, pode estrear a Alternext; Gastão Taveira ainda não decidiu se dá o mesmo destino à Altitude Software; Fernando Nunes deverá listar a Visabeira nos próximos meses; António Mexia dispersará em 2008 o capital da NEO, empresa de energias renováveis de EDP.

Todas estes gestores fazem falta à Bolsa portuguesa. O Zé faz falta. O Carlos, o Jorge, o Fernando, o António, o Gonçalo e o Gastão fazem falta. Mas quem mais tem faltado são os investidores. Os portugueses têm perfil de baixo risco. Os últimos que arriscaram, deram-se mal. Mas os primeiros deram-se bem. Estaremos no 2º andar do prédio-metáfora de Magalhães Carneiro? Se sim, a subir degraus ou a mergulhar no abismo? A verdade é que não depende de nós. Somos sobretudo reflexo das Bolsas internacionais. Agora, com mais empresas.

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